quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Responda rápido: Você apagaria da sua mente toda a história que teve com o grande amor da sua vida só porque o relacionamento não deu certo? Então, se você respondeu sim ou não, meus parabéns. Não precisa nem continuar lendo o resto do texto. Em contrapartida, seja bem-vindo ao clube se você é dos meus e pensou numa escala entre o “talvez” e o “por quê?”.
Parte I – Quando as definições começam no fim.
Bem, vamos a uma suposição: Uma história deu errado, mas deve ter dado errado no final. E tudo o que se viveu no início, durante e quase próximo ao fim? E toda aquela velha história de que foi amor e de que era ela a mulher da sua vida e a mãe dos seus gêmeos loiros que vão torcer pro Botafogo e serão felizes por isso? Não vale nem um pouco à pena lembrar e não deu certo?
As pessoas têm uma tendência a anular toda a parte boa de um relacionamento por julgar que ele não deu certo. Mas qual é a medida utilizada para determinar se deu certo ou deu errado? Houve sentimento, houve carinho, houve companheirismo, mas acabou. Foi tudo certo até o dia em que um dos dois se virou e disse que não dava mais porque o sentimento acabou. Teoricamente, isso é o que nós classificamos como dar errado. Mas você realmente acha que é assim?
Nos tempos de hoje, um relacionamento que dá certo é visto como um relacionamento eterno. Se acabou, deu errado. Se está em andamento, está dando certo. Não se tem uma perspectiva de que algo que se acaba pode representar uma visão positiva sobre o que aconteceu. Esse julgamento é algo que me intriga e me faz pensar em milhares de vertentes a serem abordadas na definição do que é visto como um relacionamento de sucesso ou que falhou.
Sinceramente, acho que deveríamos apoiar a definição de falha ou sucesso num todo. A visão geral, o balanço completo do relacionamento, independente de seus resultados ou formas de término é que definem se valeu a pena ou não. Ou, pelo menos, definem se a experiência foi positiva ou negativa. Você pode não olhar mais na cara do outro, mas um dia você disse pra aquela pessoa que a amou. Ou você mentiu sem nem perceber ou está cometendo o grave equívoco de considerar apenas o fim como determinante num enredo inteiro de relacionamento.
Parte II – Quando uma decisão é tomada.
Em “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”, os dois personagens resolvem apagar o outro da sua mente após o término de um relacionamento um tanto quanto conturbado. Joel, ao saber que Clementine o teria apagado em uma empresa especializada em memórias da mente humana, resolve fazer o mesmo, mas se arrepende no meio do processo e tenta fugir a todo o custo.
Isso parece um tanto quanto fantasioso? Pois bem, não é nem um pouco. A gente vive num eterno dilema filosófico entre aguentar o tranco de uma história que não deu certo, estando sujeito às lembranças e recaídas ocasionais de todo relacionamento ou evitar todo e qualquer tipo de contato e lembrança com o outro no intuito de não se lembrar de um único detalhe do que aconteceu.
Relaxe e espere até que todas as suas memórias sejam apagadas.
Se você optou por classificar a sua experiência afetiva como negativa e que não tem mais nada a acrescentar o contato entre vocês, talvez haja a necessidade de um afastamento completo; um “apagão” de memórias.
No dia-a-dia a coisa se complica um pouco mais. O que fazer com todos os objetos, lugares, situações, músicas, palavras e pessoas que vão sempre lembrar um pouco da “história de dois”? Se formos transpor o exemplo do filme para o cotidiano, os exemplos mais práticos de decisão radical são os famosos casos em que ambas as partes decidem cortar laços com a outra de forma a nunca mais se ouvir falar.
Com a reprodução midiática e a grande presença das pessoas nas redes sociais, o famoso processo de exclusão das redes é uma das formas mais inevitáveis de realizar esse “apagão”. Em contrapartida, as redes também podem indicar uma facilidade muito maior em estar em contato com quem não se quer, principalmente em se tratando de círculos sociais que englobam os indivíduos envolvidos na relação.
No fim de tudo, eu considero bastante delicada essa decisão de esquecer completamente alguém utilizando todos os meios possíveis e impossíveis. Pode ter sido bom enquanto durou e agora dói. Pode ter sido horrível quando terminou, mas foi ótimo enquanto durou. Pode ter sido nada. Pode ter sido tudo. Tudo depende. É uma decisão a ser tomada com bastante cautela e ponderadas as vantagens e prejuízos. No fim da noite, a única decisão que realmente importa é aquela que vai te fazer lidar melhor e se sentir bem com tudo isso.By D.B

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