sexta-feira, 4 de março de 2011

JEITO DE SER...



Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja

cada vez mais rara: a elegância do comportamento.


É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que

abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.


É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a

hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando

não há festa alguma nem fotógrafos por perto.


É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.

Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam

longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz

ao se dirigir a frentistas.

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem

prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.


Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece,

é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete

e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte

antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.


Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.


Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo,

a estar nele de uma forma não arrogante.

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação,

mas tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe

de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que

acha que com amigo não tem que ter estas frescuras.

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que

não irão desfrutá-la.

Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.

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